sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Crueldade

Hoje venho falar de um assunto completamente fora do contexto (até um segundo juízo).

Em 16 de setembro o SBT apresentou o programa Conexão Repórter falando sobre Crueldade com Animais. Como muitos de vocês sabem, sou apaixonada por eles e repudio toda e qualquer forma de maus tratos. Indignada, com nojo e muito pensativa, decidi escrever algumas considerações a respeito do assunto.

Você come carne? Com que frequência? A carne é essencial para o organismo do ser humano? Você sabe qual a procedência da carne que consome? Estas e outras tantas perguntas permeavam minha mente e agora vem à tona, pois não é concebível nos alimentarmos quase que basicamente de outros seres vivos. Não sou vegetariana ou veganista, mas sou um ser pensante. Vamos trocar de lugar com eles: você nasce, é afastado de sua mãe e de sua família, colocado em um local inadequado para seu crescimento (como toda criança ou filhote, quer correr, brincar, tem fome, frio, gosta de ficar perto da mãe e muito mais). A depender do caso, cresce e começa a observar que os mais velhos são preparados para serem levados ao matadouro e de lá não voltam. No ar, um clima de tensão, medo, dor. Para as vitelas (bezerros recém nascidos) é pior: são separados de suas mães e enclausurados em pequenos cubículos, sem iluminação e sem espaço para se mexerem, para não criarem músculos e oferecerem uma carne branca e macia. Os animais abatidos sofrem uma descarga elevadíssima de adrenalina no corpo, contaminando a carne. Isso sem falar do lado espiritual da coisa: inúmeros espíritos desencarnados e vampiros envolvem os condenados, alimentando-se do desespero, da aflição, e depois do abate, sugam os fluidos, remexem as carnes... um verdadeiro banquete de horrores. Mas ah, que exagero – um bifinho é tão bom, dirão os Homens (ops, eu falei Homens – será?). Existe o abate humanitário, que proporciona ao animal um desligamento anterior à morte, quando são anestesiados e não sentem dor ou desespero. Na verdade, o que precisa existir é o não-abate – precisamos aprender a nos alimentar de outras fontes que preservem a vida animal. Superpopulação de vacas, galinhas, peixes e outros comestíveis? Não, não haveria pecuaristas, granjeiros – haveria apenas os animais necessários para fornecer os produtos secundários (leite, ovos). A ciência já é capaz de desenvolver substâncias semelhantes à proteína animal.

Este assunto é inesgotável e penso, com tristeza, que a humanidade ainda não está preparada para dar esse passo rumo à vida.

Somos menos que animais, pois eles matam para alimentar os filhotes e saciar a fome, mantendo o equilíbrio natural do sistema. Nós, matamos para saciar a fome, congelar, estocar, preparar jantares homéricos para ostentar riqueza, luxo e poder.

Você seria capaz de esmagar uma pessoa viva? Seria capaz de descartar um filho porque ele nasceu com um defeito físico ou porque já tem 2 e não quer mais? Há pessoas que responderiam sim às perguntas, mas elas não contam porque não são pessoas – são coisas que precisam de nossas orações para que possam, algum dia, de alguma forma, elevarem-se em direção à evolução, ao amor. Pois é, com os pintinhos a coisa muda: os que são “patinhos feios” são esmagados junto com as cascas dos ovos, vivos, piando pela vida.

Vamos para outro ponto: tradições e costumes. Touradas, matança de golfinhos, baleias e focas. Gente, tem cabimento isso? A troco do que? Pense num arpão penetrando suas costas, você sendo sufocado e carneado, muitas vezes ainda vivo? De acordo com informações do Green Peace, os estoques de carne de baleia e golfinho no Japão estão altíssimos, pois a população não quer mais se alimentar deles. E o que fazem? Ano após ano continuam matando milhares e milhares. Olha que beleza – o ecossistema fica com uma falha, desequilibra-se e a Natureza procura seu equilíbrio aumentando a temperatura, provocando chuvas, seca e erupções que para muitos são apenas eventos adversos ou resultado do efeito estufa.

Fico tão revoltada com tudo isso... você já olhou nos olhos de um cachorro? O que eles pedem? Amor, carinho, cuidado, companhia e claro, comida e água. Eles confiam de olhos fechados no ser humano e nós retribuímos como? Jogando filhotes no rio, acorrentando cães, abandonando-os quando eles ficam um pouco mais velhos, já não servem mais e começam a exigir um pouco mais de nosso tempo (posso te contar uma coisa: nós fazemos isso com os idosos e as crianças também – sabia?).

Poderia escrever muitas e muitas linhas, mas intimamente, sei que nada é novidade, que todos sentimos a mesma repulsa, horror e assombro, que todos temos gravado em nosso DNA o amor, a caridade, o fazer o bem, a compaixão pelos seres ditos irracionais, que todos somos filhos d’Ele mas somente alguns estão despertos, estão de braços e coração aberto para a vida.

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